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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

texto do Diégues

Aula do dia: 04/11/08
Atualmente, são duramente criticados os estudos sobre conservação de ecossistemas que procuram marginalizar as populações tradicionais destes habitats naturais. É uma visão totalmente errônea pensar que a manutenção da biodiversidade está relacionada ao isolamento destes lugares de seus locais.Diante disso, alguns livros têm se preocupado em dissertar sobre essa temática. O Mito Moderno da Natureza Intocada é um deles. Escrito por Antonio Carlos Diegues, professor do curso de pós-graduação em Ciência Ambiental da USP e do Departamento de Economia e Sociologia Rural da ESALQ, e também um dos coordenadores do NUPAUB (Núcleo de Pesquisa sobre as Populações Humanas e Áreas Úmidas do Brasil), que serviu de influência na realização deste livro, citando várias experiências realizadas pelo Núcleo, cujo principal objetivo é o desenvolvimento de projetos de pesquisa com o intuito de estudar e conservar a diversidade biológica e cultural nos ecossistemas de áreas úmidas brasileiras.O trabalho inicia com um histórico da conscientização em proteger áreas naturais. O primeiro parque nacional do mundo, e que serviu de modelo para outros, foi o Parque Nacional de Yellowstone. Apoiado na ideologia "preservacionista" americana (há um capítulo inteiramente dedicado às várias correntes ideológicas de pensamento ecológico no mundo), em que qualquer "intervenção humana na natureza é negativa".Este modelo de conservação foi fortemente combatido quando da incorporação nos países do Terceiro Mundo, causando efeitos danosos nas "comunidades tradicionais" (extrativistas, pescadores, indígenas etc.). O título faz referência à retomada de conceitos míticos como forma de situar toda a problemática em questão.A mitificação da natureza como um espaço intocado e intocável (o chamado "neomito" ou "mito moderno") vai servir de base para a construção da concepção preservacionista: "criação de áreas naturais protegidas que deveriam permanecer intactas, de acordo com a idéia, de origem cristã, de paraíso perdido". Na verdade, a crítica que permeia todo o livro é com relação à importação do modelo americano (Yellowstone) de criação de parques nacionais. Pois tanto aqui como em grande parte dos países da América Latina este modelo vem trazendo consigo graves conflitos sociais, culminando na "tragédia dos comunitários, que são expulsos de seus territórios pela implantação de grandes projetos (hidrelétricas, mineração etc)", e o agravamento da situação é mais forte quando estas áreas naturais passam a servir como locais de "turismo de aventura" e verdadeiros "paraísos" da especulação imobiliária.Dois capítulos são dedicados ao caso brasileiro, onde o Estado possui uma postura "tecnocrática e autoritária", com uma legislação ambiental favorecendo os interesses de grandes organizações internacionais. Um bom exemplo disso foi a criação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), que Diegues classifica como um "sistema fechado, isolado da realidade do espaço total brasileiro, que tem sido amplamente degradado e maldesenvolvido há décadas". A preocupação com a sobrevivência das populações tradicionais é assunto recente por aqui e são apontados alguns estudos e pesquisas desenvolvidas em várias regiões do Brasil, que procuram trabalhar a "visão da unidade de conservação integradas à sociedade", realizadas pelo NUPAUB, e que o próprio autor deve ter feito parte. Portanto, mais do que simplesmente analisar os aspectos estruturais de parques e reservas, o texto alerta para novos caminhos da conservação da natureza que levem em consideração os habitantes locais e a influência destes de maneira positiva na manutenção da diversidade biológica.E com isso, o espaço da universidade vem a ser fundamental na difusão de estudos interdisciplinares (envolvendo, por exemplo, biólogos, sociólogos e antropólogos) que denunciem práticas excludentes de formas de vida tradicionais em reservas naturais. Todo cuidado é pouco com as chamadas "práticas ecoturísticas", que quando associadas a grandes empreendimentos podem levar à insustentabilidade da região, ocasionando desequilíbrios ambientais.Um pequeno texto em que diz: Antônio Carlos Diegues!

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